sábado, 19 de abril de 2014

O sling em 1870

Fonte: Negra com uma criança branca nas costas, Bahia, 1870. Acervo Instituto Moreira Salles.

Quando publiquei uma postagem sobre essa forma de transporte ancestral de bebês não me ocorreu a ideia de procurar imagens antigas de mulheres transportando seus filhotes para comprovar a sua ancestralidade, apenas ilustrei meu texto com imagens atuais de mulheres ao redor do mundo que carregam seus bebês em slings, ou rebozos (em espanhol). 

Tenho o prazer de vir compartilhar uma foto datada de 1870, na qual uma escrava africana carrega um bebê branco, em Salvador - Bahia. A foto faz parte do acervo do Instituto Moreira Salles e integra a coleção de fotos raras de escravos brasileiros. É uma pérola, tanto pelo valor histórico - o registro pictórico de escravos brasileiros feito há 150 anos, quando, geralmente, apenas os senhores eram retratados. - e pelo valor atribuído ao cuidado com os pequenos e pelo pouco registro que há disso; felizmente, temos conhecimento que as escravas entendiam de maternagem e de criação com apego, inclusive, muitas crianças eram amamentadas por elas, pois as mães - brancas e aristocráticas - não aceitavam realizar tal função e as atribuíam às escravas que já tinham filhos. O vínculo que as crianças estabeleciam com as escravas era enorme, e não só por causa do peito e do aleitamento: elas cantavam, carregavam no colo e ninavam, alimentavam os maiorzinhos, contavam histórias... Para mais informação, vide FREYRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime de economia patriarcal

O fato é que o transporte de bebês junto ao corpo é extremamente benéfico para o seu desenvolvimento e sua saúde. As crianças que experimentam essa forma de serem levadas se tranquilizam com mais rapidez quando estão chorando, dormem melhor e têm maior vínculo com os seus cuidadores.

  Foto: Fred Hoogervorst. Mulher africana carregando seu bebê adormecido.

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